Periodização Táctica by Vítor Frade

Acreditamos no conhecimento que se traduz em saber, em saber fazer e em saber agir. Um conhecimento sobretudo prático, alimentado por dados conceptuais, teóricos, necessariamente transdisciplinares.

Acreditamos que ainda existe muito para descobrir e inovar no treinar e no jogar futebol. De facto, não querer continuar a crescer é estagnar e deixar-se ultrapassar, pelo que ser treinador requer constante evolução e inovação, porque a realidade assim o exige.

Acreditamos no valor da experiência que se faz acompanhar da reflexão permanente. O simples acumular de anos de trabalho, por si só, não nos torna mais capazes. Contudo, a capacidade de refletir sobre essa prática e de crescer com ela, torna-nos mais competentes.

Acreditamos na importância de se ter sensibilidade para as “pequenas grandes coisas” que surgem e acontecem ao longo do processo de treino e competição.

Acreditamos na importância do respeito pela natureza do jogador enquanto indivíduo, reconhecendo-o como um ser inteligente, sensível e adaptável.

Acreditamos que cada realidade específica exige uma abordagem adequada. Dar expressão contextual a uma visão ou ideia, sem perda dos seus traços marcantes, é uma arte feita, não de alvos, mas de trajetórias.

Acreditamos que é fundamental saber distinguir o essencial do acessório.

Acreditamos no treino como o grande momento catalisador das ideias do treinador. Na força do fazer e do vivenciar para a criação de hábitos. Assim, o dizer pouco ou nada resolve, pelo que é preciso levar os jogadores a fazer. É na interação de todos os dias que se cria o futuro que se deseja.

Acreditamos na organização enquanto emergência que expressa o ser-se coletivo. Uma dinâmica relacional que, ao acontecer como padrão, revela uma intenção comum: com e sem a bola, perto e longe dela, todos pensam em função da mesma coisa e ao mesmo tempo.

Acreditamos na coerência enquanto imperativo categórico do treinar e do jogar, enquanto fio invisível que une o grupo em torno do seu líder.

Acreditamos na necessidade urgente de uma mudança de paradigma ao nível do treino, do jogo e da própria vida: da quantidade para a qualidade, de uma visão reducionista para uma visão holística, do “individualizante” para o “colectivizante”.

Acreditamos que atingir a excelência não basta. Esse é apenas um novo ponto de partida, não a linha de chegada.